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Artigo Original

Fadiga vocal de professores brasileiros da rede pública durante o ensino remoto: estudo multicêntrico

Vocal fatigue among Brazilian public teachers during remote teaching: a multicenter study  

Amanda Stephanie Berberick Faria dos Reis; Adriane Mesquita de Medeiros; Ana Carolina Constantini; Samara Sâmi Pereira da Silva; Léslie Piccolotto Ferreira; Maria Lucia Vaz Masson

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Resumo

Objetivo: analisar a autopercepção de fadiga vocal de professores e sua relação com a quantidade de fala e loudness, distúrbio vocal, uso de máscara e condições de trabalho.

Método: estudo multicêntrico, exploratório, observacional, analítico e transversal, do tipo websurveys, no período do ensino remoto emergencial. Participaram 263 professores da rede pública das cidades de Belo Horizonte, Campinas, São Paulo e Salvador, que atuavam na educação básica. A coleta de dados foi entre fevereiro e agosto de 2021. O formulário do Google foi enviado com questões sociodemográficas, de trabalho e saúde, uso de máscara facial, além dos protocolos de autoavaliação Índice de Triagem para o Distúrbio de Voz, Grau de Quantidade de Fala e Intensidade Vocal e Índice de Fadiga Vocal.

Resultados: a maioria dos professores apresentou suspeita de distúrbio vocal (55,9%) e percebeu fadiga vocal (83,7%), com boa recuperação da voz após repouso (74,5%). Houve associação estatística entre a fadiga vocal autopercebida com suspeita de distúrbio vocal (odds ratio:25,64 /intervalo de confiança: 95% 7,60-86,45) e trabalhar no ensino médio (odds ratio:0,35 / intervalo de confiança: 95%:0,16-0,76).

Conclusão: os professores autorreferiram elevada prevalência de fadiga vocal, com recuperação satisfatória da voz ao ministrarem aulas on-line durante a pandemia. A presença de distúrbio vocal aumentou a chance de sintomas de fadiga vocal autopercebidos e trabalhar no ensino médio reduziu essa chance.

Palavras-chave

Voz; Fadiga; COVID-19; Professores escolares; Sinais e sintomas; Equipamento de proteção individual

Abstract

Purpose: To analyze teachers’ self-perception of vocal fatigue and its relationship with the amount of the speech and loudness, vocal disorders, mask usage, and working conditions.

Methods: A multicenter, exploratory, observational, analytical, and cross-sectional study of the web survey type during the period of emergency remote teaching. Convenience sampling was used, comprising 263 public school teachers from the cities of Belo Horizonte, Campinas, São Paulo and Salvador, working inEducation. The Google form was sent with sociodemographic, work and health questions, use of a face mask, in addition to self-assessment protocols and self-assessment Voice Disorder Screening Index (VDSI), Degree of Speech Quantity and Vocal Intensity (DSQVI), and Vocal Fatigue Index (VFI).

Results: Most of the teachers showed a suspected vocal disorder (55.9%) and perceived vocal fatigue (83.7%), with good voice recovery after rest (74.5%). There was a statistical association between self-perceived vocal fatigue and suspected voice disorder (OR: 25.64 / CI: 95% 7.60-86.45) and working in high school (OR: 0.35 / CI: 95%: 0.16-0.76).

Conclusion: Teachers reported a high prevalence of vocal fatigue, with satisfactory voice recovery while conducting online classes during the pandemic. The presence of vocal disorder increased the likelihood of self-perceived vocal fatigue symptoms, and working in high school reduced this likelihood.

Keywords

Voice; Fatigue; Covid-19; School teachers; Signs and symptoms; Personal protective equipment

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Submetido em:
24/04/2024

Aceito em:
27/07/2024

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